Amizades
um relato um tanto pessoal sobre as amizades da vida
Sempre tive dificuldades em fazer amizades, principalmente quando era criança.
Por ter sido um tanto tímida na infância - e uma introvertida - sempre foi difícil essa questão de fazer amigos.
Na pré-escola, eu tinha várias amiguinhas, até a 3° serie do fundamental me separar de todos elas. Foi quando percebi que tinha sido a única a não sair na mesma sala que elas.
Ali, naquela sala com pessoas desconhecidas eu senti de novo, a sensação de medo: medo de não conseguir me enturmar.
E advinha? Apenas uma das meninas continuou a ser minha colega, o resto me ignorava- com a exceção que uma me odiava e fazia questão demonstrar isso.
Ainda me lembro do dia que essa colega me chamou para brincar com as outras no intervalo, mas por causa dessa que me odiava não me deixaram participar.
Aquilo, para minha “eu” de 9 anos, doeu bastante. E olha que me lembro bem pouco da minha infância, mas a aquela sensação nunca esqueci - a sensação de ser excluída.
Tudo bem, eu com certeza era meio chata quando criança, mas realmente não me recordo de nada que fiz para ter recebido aquele tratamento.
No final das contas, cresci, sentindo que não importava o quanto tentasse agradar, o quanto tentasse me moldar para conseguir me encaixar, uma hora ou outra eu ia acabar ficando sozinha.
Todas as vezes que fazia uma amizade nova, tentava ao máximo fazer de tudo para agradar, para ser uma boa amiga, para ser divertida. Para que aquela amizade não fosse embora - mas, no fim, sempre ia embora.
E, quando achei que tinha novas amigas, a minha vida da um giro de 360° graus quando tive que mudar de cidade e me despegar do que lugar que nasci e cresci.
Em uma cidade nova, em uma escola nova senti de novo aquele medo: E se não me encaixar? E se eu não me adaptar? E se eu não me enturmar?
Por muito tempo, tentei fazer parte dos grupinhos que já tinham seu círculo de amigos desde a infância, mas percebi que não tinha espaço para mim.
Fui me tornando uma pessoa com dependência emocional em amizades, até passar pelo processo da solidão - de deixar que a solidão me mostrasse que eu precisava aprender a conviver com a minha própria companhia.
Doeu, bastante para ser sincera - até porque para uma adolescente qualquer coisa vira o fim do mundo.
Nesse tempo, aprendi aos poucos me acostumar a ser sozinha. Deixei de tentar me encaixar para ser aceita e, apesar de doer ver todo mundo tendo seus grupos para socializar, fui aprendendo a lidar com isso.
Hoje, apesar de ter feito amigos em que não precisei me moldar, fingir quem não sou para me encaixar - às vezes, a minha criança interior ainda tem medo de também perdê-los.
Afinal, eles tem outros amigos e eu só tenho eles como pessoas próximas. E não que me importe com isso, mas sinto que, muitas vezes, a minha presença não faria falta nenhuma.
Soa meio infantil não é?
A minha criança interior está sempre procurando pertencer a algum lugar, porque nunca se sentiu pertencente a nada - sempre se sentia deslocada, nunca sentia que sua presença era visível.
Eu sou a pessoa que observa os outros, vivo observando a vida das pessoa. Observo, como se não estivesse no meio deles.
Devo admitir que tenho certa “inveja” de pessoas que conseguem facilmente fazer amigos, de atrair as pessoas com sua mera presença - de fazer as pessoa notarem sua presença e se importarem com ela.
Para quem sempre viveu tentando se esforçar para fazer os outros gostarem de você - é como uma facada saber que nada disso fez com que se sentisse a pessoa favorita de alguém.
E, no final, apenas aceitei o fato de que eu sou só a “amiga” e que consideração e reciprocidade não são cobradas - são dadas de espontânea vontade.
E que talvez, eu nunca pertença a algo ou alguém - talvez eu só flutue no meio de todo mundo.
Guardo no coração cada pessoa que já passou pela minha vida.
Sempre irei ter uma lembrança das minhas amizades - mesmo que ciclos se encerrem vão estar sempre em minha memória.
E, vou tentar aproveitar cada momento com meus amigos, porque, no final, tudo vira apenas memórias - e são essas memórias que tornam as boas lembranças eternas.
Se você leu até aqui, muito obrigada! Caso tenha gostado, fique à vontade para interagir. E se quiser ler mais posts como esse, subscreva na minha newsletter: “A arte é viver”



Me identifiquei DEMAIS.
(E vc arrasou no texto tbm 🤌🏻)
Esse ano eu me mudei para uma nova escola longe das minhas amizades, eu me sinto tão deslocada, tão perdida no meio de tantas pessoas desconhecidas